sexta-feira, 3 de maio de 2013

PIT STOP EM LA RAYA



Já passava do meio dia, paramos na beira da estrada em uma localidade chamada La Raya, o ponto mais alto do caminho entre Cuzco e Puno. Com o primeiro nevado ao fundo, o Chimpoya, o frio estava de rachar o coco a 4335m de altitude.

Compramos um chapéu de pele de coelho e uma manta de baby alpaca, peça linda e muito útil naquela ocasião. Nessa parada se foi USD120,00.

Em seguida, a alguns metros de lá, paramos para almoçar em um restaurante simples, mas muito agradável. A altitude já estava incomodando novamente. Um sorotipil antes da refeição e um digestivo mate de coca depois.

Vamos embarcar novamente, agora sim, Pukara.

RAQCHI



Duas horas de viagem desde Andahuaylillas a bordo do Mer e estávamos no complexo arqueológico de Raqchi onde fizemos outra parada para visita.

Ruínas interessantes com altas paredes de adobe sobre alicerce de pedra que contiveram um dia o Templo de Wiracocha. Ao redor dele, ruelas com ruínas de habitações de nobres dos idos de 1500.

Ao virar uma esquina, nos deparamos com um habitante que parecia estar ali desde o século 15, com trajes típicos, sua ferramenta de trabalho e uma expressão sofrida, forjada pelos anos de trabalho em condições de insolação e altitude cruéis.

Pedi para “sacar una photo” e ouvimos um imediato “si, si”. Fiz algumas imagens, uma delas com a Grazi parecendo o Guliver perto do pequeno senhor. Ao agradecermos, o senhor andino estendeu a mão para a Grazi que ingenuamente apertou a mão do cidadão que queria o cachê pelo seu trabalho de modelo. Diante do equivoco, ele fez menção de cortar uma parte cara de minha anatomia com sua foice, paguei rapidamente o “señor” e deixei para explicar para a Grazi depois.

Salvo de usar jeans um número menor, voltamos para a praça principal que tem uma igreja e uma feirinha de artesanato, onde compramos algumas peças em madeira.

Guia chamando, pé no Mer rumo a Pukara.

ANDAHUAYLILLAS


Acordamos atrasados às 7 horas da fria manhã Cuzquenha, para pegar o Ônibus as 8 com destino a Puno, em algum lugar na periferia da cidade.

Dispensamos o desjejum, acertamos a conta no hostel e fomos caçar um taxi na rua em frente, com fé que o motorista tivesse conhecimento da cidade e habilidade ao volante. Demos sorte, sabia onde era o lugar e tinha pé-de-chumbo.

Chegamos encima da hora na garagem da empresa de turismo Mer, que apesar do nome era boa, seria melhor transporte terrestre que teríamos até o fim da viagem. Ônibus confortável com ar condicionado, guia, serviço de bordo que se resumia a água, inca-cola e mate de coca, tudo o que precisávamos naquela situação.

Rumo a Puno, ainda não muito longe de Cuzco, paramos em um lugarejo chamado Andahuaylillas onde a maior atração é a Capela Sistina da America, uma Igreja linda construída em 1626. Curioso que nos altares, disputando com símbolos católicos, haviam alguns elementos da cultura Inca, como sol e lua, além de feições indígenas de algumas imagens. Estratégia espanhola para “ganhar” os locais.

Fiz duas imagens sem flash do interior da igreja e fui imediatamente convidado por dois agentes da “Gestapo” cristam-peruana a apagá-las.  Fiquei incomodado com os guardiões templários me cercando por todo canto, preferi me aquecer tomando um café quentinho no que suponho ser o menor Starbucks do mundo.

Depois do café, resolvi fazer um protesto contra a restrição da liberdade de registrar aquele patrimônio arquitetônico, cultural e religioso da humanidade, não comprando os cartões postais do interior da igreja.

De volta no Mer, vamos em frente!