domingo, 3 de novembro de 2013

PERAMBULANDO POR LA PAZ



Acordamos cedo, ainda um pouco indispostos, tomamos o café da manhã no hotel, um Sorotipil  e fomos tratar de conhecer os principais pontos da capital política Boliviana e contratar a guia que nos levaria para subir ao monte Chacaltaya.


Fomos de táxi até a praça Murillo onde fica a cede do governo e depois seguimos a pé pelas estreitas ruas até a igreja de São Francisco, de estilo barroco mestiço, erigida em 1784. 


Subimos a rua Sarganaga onde contratamos nossa guia e a van para nos levar ao Chacaltaya na manhã seguinte. Contratado o serviço seguimos para bisbilhotar o mercado de Las Brujas a cerca de uma penosa quadra acima, um lugar onde se vende objetos para rituais como feto de lhama mumificados e também suvenires para turistas. O mais comum deles são as réplicas de fósseis que são oferecidos por espertinhos que lhe abordam na rua e tentam vender como legítimos. 

Recobrado o fôlego, subimos mais uma quadra até a Av. Illampu, o paraíso das lojas de montanhismo, lá encontra-se produtos NorthFace, botas Salomon e Timberland e canivetes Victorinox pela metade do preço que se pagaria no Brasil. Compramos dois anoraks e uma latinha com oxigênio pressurizado para a caminhada do dia seguinte.

Uma rua abaixo, Calle Linares, tinha uma feira livre onde aproveitamos para comprar dois tipos de queijos artesanais e alguns pães que seria nosso jantar daquela noite.


Já passava muito do horário de almoço e encontramos um pequeno café mexicano de nome La Cueva, na passagem Tarija que liga a Calle Linares com a Av Murillo. A casa era de um belga e dirigido por uma simpático cubana. Lá tomamos algumas tequilas e comemos alguns tacos e burritos.


Fim de tarde, um pouco mareados, fomos descansar no hotel, onde mais tarde jantamos os queijos e pães comprados no mercado pela manhã. Voltamos para a cama para estarmos prontos para o Chacaltaya na manhã seguinte.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

CHEGADA A LA PAZ


Tomamos o café da manhã no hostel, fizemos o check-out e descemos para a Praça Sucre afim trocar dinheiro e comprar as passagens para Lá Paz, uma suposta rápida viagem de 140Km. Compramos a passagem para as 14 horas e desta vez tomamos o cuidado de deixar muito claro o tipo de ônibus que iria nos levar.

Aproveitamos o resto da manhã para perambular um pouco pela cidade, mas com o incomodo da altitude e dos 10 Kg de mochila nas costas, optamos por um agradável restaurante ali perto, onde confraternizamos com um casal de Florianópolis, que se demitiram do trabalho, pegaram a indenização e foram andar pelo mundo sem planos para volta. Tomamos algumas cervejas Paceñas e comemos um hambúrguer maravilhoso. O tempo voou embalado pelo agradável bate-papo, já era o momento do embarque. Nos despedimos e embarcamos no ônibus, desta vez sem surpresa. Adeus Copacabana.

Dia ensolarado, seguimos pela rodovia Nacional 2 contemplando as terras às margens do lago Titicaca até o estreito de Tiquina, à uns 40 Km de Copacabana, lá as coisas ficaram um pouco confusas, ônibus em uma balsa, passageiros em barcos, nenhuma informação, desembarcamos bem longe do ônibus e o perdemos de vista. Tempo suficiente para uma ida rápida ao banheiro mais sujo que já fomos e virando a esquina lá estava nosso ônibus. Re-embarcamos e continuamos pela 2 rumo a Lá Paz.

Chegamos à grande Lá Paz por El Alto antiga periferia hoje emancipada como município. Um lugar pobre de transito caótico e de alta densidade populacional em seu centro. Eram milhares de pessoas aglomeradas andando por entre os carros e barraquinhas e ambulantes vendendo de tudo, fazendo a Rua 25 de Março parecer um lugar pacato.

Uma linda escultura de Chê feita de sucata, com uns 5 metros de altura marcava a entrada em La Paz, contrastando com o céu de fim de tarde. À medida que o ônibus descia a cidade começava a se apresentar, primeiro pela periferia que lembra o filme Mad Max e depois a parte mais central, que parece assim a primeira vista, como qualquer grande cidade latina.

Descemos na rodoviária, fazia 2°C, pegamos um taxi e fomos direto ao nosso hotel na Av Saavedra, ao lado do Estádio Olímpico Hernando Siles onde estava tendo uma partida de futebol, da janela de nosso quarto víamos o estádio e escutávamos os ruidosos torcedores.

Estávamos cansados da viagem e sofrendo de hipobaropatia, o mal da altitude, que por lá se chama soroche. Não havia mais a umidade do lago e a poluição causada pelos escapes dos veículos piorava a situação.


A Grazi se aninhou debaixo das cobertas e eu sai para comprar sorotipil e algo para jantar, perto havia uma loja do Pollo Copacabana, onde comprei coxinhas de frango frito e hambúrguer de frango. Comemos pouco, estávamos enjoados pela altitude e logo adormecemos.

domingo, 12 de maio de 2013

COPACABANA





Acordamos na não menos fria manhã boliviana. Ao sair do quarto nos deparamos com uma maravilhosa vista do lago Titicaca e um céu impecavelmente azul.

Após o desjejum, enchemos duas garrafas de água e fomos escalar o Cerro Calvario, um local de peregrinação que mistura elementos católicos trazido pelos espanhóis e crenças pagãs remanescente da cultura inca e praticada por los brujos. 
  

O lugar leva este nome por representar o martírio de Cristo a caminho da crucificação, nome que se mostraria mais que adequado durante a subida.

Uma subida íngreme por uma rua nos levaria ao início da trilha de pedras mais íngreme ainda para subir a montanha. Neste ponto paramos para descansar e observar os curiosos rituais ali praticados.

Falta de ar, dor de cabeça, nariz sangrando e o pensamento de desistir rondava a minha mente, o que só não aconteceu por causa das senhoras nativas de idade avançada que ameaçavam tomar a minha dianteira.

Finalmente cheguei ao topo e a Grazi já me esperava há alguns minutos. Vista do lago de tirar o fôlego, disputava uma série de oratórios e barraquinhas vendendo de tudo. Os produtos mais curiosos são as miniaturas das graças que os peregrinos desejam alcançar. São pequenas casas, carros, malinhas de dinheiro e saquinhos com grãos, materializando estes desejos.

 
Um tempinho para fazer algumas imagens, confraternizar com dois jovens brasileiros que encontramos por lá, tomar uns goles de água e começamos a descer rumo à basílica de Nossa Senhora de Copacabana padroeira daquele País, erigida em 1550. Foi uma rápida descida, afinal, para baixo todo santo, inca ou católico, ajuda.

Coincidentemente era dia da padroeira e a cidade estava em festa, visitamos o magnífico templo, e mesmo sendo ateu, agradeci a Virgem por não ter sido humilhado pelas velhinhas na subida do Calvário.

 
Em frente à igreja, um padre benzia enfeitados veículos recém adquiridos e as famílias reunidas e formalmente trajadas agradeciam à Virgem pela graça alcançada. Fotógrafos profissionais munidos de Rebel Canon vendiam seus serviços registrando o momento e entregando na hora uma cópia em papel, impressa em uma fotoprint movida à bateria adaptada a tiracolo. Para desespero de um deles, aproveitei a cena armada e apontei a minha câmera para uma família que exibia seu caminhão, fiz a imagem e agradeci, fui saldado alegremente por eles e segui em frente.

 
Mas adiante, acontecia uma festa de casamento em praça pública, os noivos no coreto e os convidados na praça dançavam ao som de um grupo de mariachis. Por que mariachis na Bolívia? No lo sé!

Já passava das 14horas, comemos algumas maravilhosas empanadas bolivianas, que lá se chamam salteñas e fomos nos recuperar do esforço no hostel.

Siesta prolongada e estávamos listos para o jantar. Fomos a um lugar muito legal, repleto de objetos e esculturas feitos de palha e totora, onde tomamos uma sopa de quinoa e comemos uma truta, só para variar. Entrou um grupo de músicos argentinos que tocaram musicas andinas e depois passaram o chapéu. Por que argentinos na Bolívia? No lo sé!

Já era tarde da noite, voltamos para o hostel caminhando pelas vazias ruas da gélida noite de Copacabana. Arrumamos as mochilas, tomamos um maravilhoso banho quente e fomos para debaixo das cobertas. 

Foi um dia incrível.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

RUMO A BOLÍVIA COM EMOÇÃO



Acordamos não tão cedo depois de uma boa, longa e merecida noite de sono, tomamos nosso café tranqüilamente no hotel e logo fizemos o check out, seriam apenas 143km até Copacabana já na Bolívia.

Tomamos um taxi até a rodoviária de Puno e compramos duas passagens para a curta viagem no confortável ônibus cuja foto ilustrava o guichê da Cia. Como a partida só seria no início do período da tarde, ficamos pelos arredores e comemos algo até o momento do embarque.

Chegada à hora nos dirigimos ao guichê da companhia Copacabana e a senhora que nos vendeu a passagem nos acompanhou ao lugar de embarque, que para nosso espanto não era na plataforma, mas sim na esquina, onde alguns outros estrangeiros esperavam. Estranhei e exigi explicações, mas ela pediu que nós esperássemos e caiu fora. Logo que chegou uma van antiga, sem ar condicionado, percebemos que tínhamos caído em uma roubada, e enquanto tentava reclamar com o motorista as mochilas foram parar no bagageiro no teto da van. Era pegar ou largar. Pegamos!

Seguimos viagem espremidos no banco com mais dois gringos supostamente ingleses que bebiam whisky no gargalo, isso nos incomodou profundamente, pois em nenhum momento eles nos ofereceram um trago, e estávamos precisando.

Demoramos três longas horas até finalmente chegarmos à fronteira ainda do lado peruano.

Mochila para baixo no melhor estilo pega ou vai ao chão e fomos instruídos a seguir o ajudante do motorista rumo à imigração peruana. Uma rua em aclive em um lugar estilo pós-apocalíptico. O grupo sujo de poeira, com as mochilas mal acomodadas no corpo e sentindo muito a altitude se arrastava em fila indiana lembrando o exercito de Brancaleone.

Passamos pela imigração peruana sem problemas, e nos dirigimos à imigração boliviana. Esse foi o único momento realmente estressante da viagem onde me senti temeroso quanto a nossa segurança, não só pela situação que estávamos atravessando como por outros quatro incidentes com a polícia deles em viagens anteriores, mas isso é outra história.

Um dos carabineiros parecendo um Rambo subdesenvolvido que rondava a fila onde esperávamos para efetuar as burocracias de entrada no território boliviano começou a me rodear e fazer um desnecessário e inconveniente interrogatório, sobre meu relacionamento com a Grazi, nossa diferença de estatura, idade, sobre o preço da minha câmera e chegou a me pedir uma nota de vinte Reais para a coleção dele, que neguei. Mais que o constrangimento público me incomodou à arrogância.

Durante estes momentos incômodos junto ao sujeitinho, tive que ser extremamente racional para não ir parar junto aos corintianos. O ensinamento espanhol do meu velho pai me ajudou a manter-me frio, ele costuma dizer: “Galo no terreiro dos outros é galinha.”

Com o boleto de entrada na mão e uma péssima impressão da Bolívia, seguimos para uma van que percorreu por mais uns vinte minutos estradas empoeiradas até chegarmos a Copacabana propriamente dita. Foram momentos de insegurança até estarmos no hotel e termos certeza que não sofreríamos algum tipo de abuso de autoridade. Mas enfim, Bolívia!

terça-feira, 7 de maio de 2013

LOS UROS



 

Acordamos cedinho, fazia muito frio, nossas cabeças doía muito, a altitude tinha nos pegado de jeito provavelmente com ajuda do pisco da noite anterior, só não era pior por que o lago Titicaca nos oferecia alguma umidade no ar. Tomamos o café da manhã no hotel, um sorotipil, um mate de coca e esperamos o carro da agencia que iria nos levar para conhecer Los Uros.

O motorista nos levou até o porto a poucos minutos do hotel, onde nos unimos ao grupo e tomamos um barco a motor que iria nos levar às ilhas flutuantes.

Navegamos por cerca de 40 minutos pelo lago até chegar a uma das ilhas onde os anfitriões nativos nos esperavam. Fomos recebidos, saldados e convidados a fazer um passeio ao redor das ilhas com um barco típico movido a remo feito de totora, um tipo de junco que cresce no lago. Foi um agradável passeio que nos custou USD25,00 o casal.

Desembarcamos novamente na ilha e participamos de uma palestra ministrada habilmente por um local sobre a vida cotidiana e os costumes do povo de Uros, com direito a maquetes e degustação de talo de totora.

Após o didático evento fomos convidados a conhecer o interior de uma das casas onde a anfitriã gentilmente nos ofereceu alguns de seus artesanatos, que pelo colorido das peças e pela gentileza que fomos tratados nos vimos forçados a comprar, mais USD 25,00.

Antes de nos liberarem para passear livremente pela ilha, nos ofereceram trajes típicos para tirarmos fotografias, dessa vez free.

Andamos pela ilha que proporcionava uma sensação estranha de pisar em um colchão, seguidos por Raquel, uma menininha que se encantou conosco e nós por ela.

Logo nos despedimos, embarcamos e fomos visitar a missão Adventista, que mantém uma escola onde fomos recebidos alegremente pelas crianças que cantaram em vários idiomas, correspondente a nacionalidade de cada membro de nosso grupo, ficamos emocionados. Convicções religiosas a parte, um belo trabalho social.

Retornamos ao porto por volta do meio dia, bateu a fome e aproveitamos para almoçar em um dos vários quiosques que tem na via de acesso. Lugar simples, com gente simples e comida boa, Grazi foi em el pollo e eu em la trucha.  

Tomamos um taxi chola de nome Torito, conduzido de forma arrojada pelo Miguel que nos levou de volta ao centro onde estava tendo uma manifestação muito pacifica e organizada pró aumento dos salários dos professores. Andamos por lá, conversamos com as pessoas sempre muito educadas e amigáveis.

Caiu a noite e com ela a temperatura, tomamos um lanche rápido e nos recolhemos ao hotel para nos prepararmos para embarcar para Bolívia na manhã seguinte.

domingo, 5 de maio de 2013

CHEGADA A PUNO





Chegamos a Puno sem contratempos em uma viagem agradável pela Mer. 

As margens do lago Titicaca, Puno é uma pequena cidade com pouco mais de 100 mil habitantes que sobrevive da agricultura, pecuária e principalmente o turismo.

De população cordial, ruas estreitas e vários pequenos restaurantes com ótima qualidade.

Pegamos um taxi e fomos direto ao hotel que já havíamos reservado pelo Booking, site de reserva que se mostrou muito confiável em todas as 9 hospedagens que reservamos para essa viagem.

Check in, banho quente e um cochilo para descansar da viagem. Mais tarde, saímos na fria noite de Puno a percorrer as ruas do centrinho em busca de um restaurante para o jantar. No caminho encontramos um transformista sobre um banco de praça que estendeu a mão para a Grazi, que aceitou o convite e dançou uma Conga à La brasileira, mico internacional pago com satisfação, além de alguns soles para recompensar o artista surreal. 

Entre as várias opções desconhecidas, escolhemos a esmo uma pizzaria quentinha onde comemos uma de mussarela que estava deliciosa e tomamos uns piscos souer. Saímos de lá satisfeitos, aquecidos pelo pisco e com certa dificuldade em caminhar em linha reta, passeamos mais um pouco pelo centro e tomamos um café em uma agradável cafeteria para terminar a noite.

Voltamos para o hotel para descansar, no dia seguinte, visitaremos as ilhas flutuantes de Los Uros.