domingo, 12 de maio de 2013

COPACABANA





Acordamos na não menos fria manhã boliviana. Ao sair do quarto nos deparamos com uma maravilhosa vista do lago Titicaca e um céu impecavelmente azul.

Após o desjejum, enchemos duas garrafas de água e fomos escalar o Cerro Calvario, um local de peregrinação que mistura elementos católicos trazido pelos espanhóis e crenças pagãs remanescente da cultura inca e praticada por los brujos. 
  

O lugar leva este nome por representar o martírio de Cristo a caminho da crucificação, nome que se mostraria mais que adequado durante a subida.

Uma subida íngreme por uma rua nos levaria ao início da trilha de pedras mais íngreme ainda para subir a montanha. Neste ponto paramos para descansar e observar os curiosos rituais ali praticados.

Falta de ar, dor de cabeça, nariz sangrando e o pensamento de desistir rondava a minha mente, o que só não aconteceu por causa das senhoras nativas de idade avançada que ameaçavam tomar a minha dianteira.

Finalmente cheguei ao topo e a Grazi já me esperava há alguns minutos. Vista do lago de tirar o fôlego, disputava uma série de oratórios e barraquinhas vendendo de tudo. Os produtos mais curiosos são as miniaturas das graças que os peregrinos desejam alcançar. São pequenas casas, carros, malinhas de dinheiro e saquinhos com grãos, materializando estes desejos.

 
Um tempinho para fazer algumas imagens, confraternizar com dois jovens brasileiros que encontramos por lá, tomar uns goles de água e começamos a descer rumo à basílica de Nossa Senhora de Copacabana padroeira daquele País, erigida em 1550. Foi uma rápida descida, afinal, para baixo todo santo, inca ou católico, ajuda.

Coincidentemente era dia da padroeira e a cidade estava em festa, visitamos o magnífico templo, e mesmo sendo ateu, agradeci a Virgem por não ter sido humilhado pelas velhinhas na subida do Calvário.

 
Em frente à igreja, um padre benzia enfeitados veículos recém adquiridos e as famílias reunidas e formalmente trajadas agradeciam à Virgem pela graça alcançada. Fotógrafos profissionais munidos de Rebel Canon vendiam seus serviços registrando o momento e entregando na hora uma cópia em papel, impressa em uma fotoprint movida à bateria adaptada a tiracolo. Para desespero de um deles, aproveitei a cena armada e apontei a minha câmera para uma família que exibia seu caminhão, fiz a imagem e agradeci, fui saldado alegremente por eles e segui em frente.

 
Mas adiante, acontecia uma festa de casamento em praça pública, os noivos no coreto e os convidados na praça dançavam ao som de um grupo de mariachis. Por que mariachis na Bolívia? No lo sé!

Já passava das 14horas, comemos algumas maravilhosas empanadas bolivianas, que lá se chamam salteñas e fomos nos recuperar do esforço no hostel.

Siesta prolongada e estávamos listos para o jantar. Fomos a um lugar muito legal, repleto de objetos e esculturas feitos de palha e totora, onde tomamos uma sopa de quinoa e comemos uma truta, só para variar. Entrou um grupo de músicos argentinos que tocaram musicas andinas e depois passaram o chapéu. Por que argentinos na Bolívia? No lo sé!

Já era tarde da noite, voltamos para o hostel caminhando pelas vazias ruas da gélida noite de Copacabana. Arrumamos as mochilas, tomamos um maravilhoso banho quente e fomos para debaixo das cobertas. 

Foi um dia incrível.

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