Acordamos não tão cedo depois de uma boa,
longa e merecida noite de sono, tomamos nosso café tranqüilamente no hotel e
logo fizemos o check out, seriam apenas 143km até Copacabana já na Bolívia.
Tomamos um taxi até a rodoviária
de Puno e compramos duas passagens para a curta viagem no confortável ônibus cuja
foto ilustrava o guichê da Cia. Como a partida só seria no início do período da
tarde, ficamos pelos arredores e comemos algo até o momento do embarque.
Chegada à hora nos dirigimos ao guichê
da companhia Copacabana e a senhora que nos vendeu a passagem nos acompanhou ao
lugar de embarque, que para nosso espanto não era na plataforma, mas sim na esquina,
onde alguns outros estrangeiros esperavam. Estranhei e exigi explicações, mas
ela pediu que nós esperássemos e caiu fora. Logo que chegou uma van antiga, sem ar
condicionado, percebemos que tínhamos caído em uma
roubada, e enquanto tentava reclamar com o motorista as mochilas foram parar no
bagageiro no teto da van. Era pegar ou largar. Pegamos!
Seguimos viagem espremidos no
banco com mais dois gringos supostamente ingleses que bebiam whisky no gargalo,
isso nos incomodou profundamente, pois em nenhum momento eles nos ofereceram um
trago, e estávamos precisando.
Demoramos três longas horas
até finalmente chegarmos à fronteira ainda do lado peruano.
Mochila para baixo no melhor
estilo pega ou vai ao chão e fomos instruídos a seguir o ajudante do motorista
rumo à imigração peruana. Uma rua em aclive em um lugar estilo pós-apocalíptico.
O grupo sujo de poeira, com as mochilas mal acomodadas no corpo e sentindo
muito a altitude se arrastava em fila indiana lembrando o exercito de Brancaleone.
Passamos pela imigração peruana
sem problemas, e nos dirigimos à imigração boliviana. Esse foi o único momento
realmente estressante da viagem onde me senti temeroso quanto a nossa segurança,
não só pela situação que estávamos atravessando como por outros quatro
incidentes com a polícia deles em viagens anteriores, mas isso é outra
história.
Um dos carabineiros parecendo um
Rambo subdesenvolvido que rondava a fila onde esperávamos para efetuar as
burocracias de entrada no território boliviano começou a me rodear e fazer um desnecessário e inconveniente
interrogatório, sobre meu relacionamento com a Grazi, nossa diferença de
estatura, idade, sobre o preço da minha câmera e chegou a me pedir uma nota de
vinte Reais para a coleção dele, que neguei. Mais que o constrangimento público
me incomodou à arrogância.
Durante estes momentos incômodos
junto ao sujeitinho, tive que ser extremamente racional para não ir parar junto
aos corintianos. O ensinamento espanhol do meu velho pai me ajudou a manter-me
frio, ele costuma dizer: “Galo no terreiro dos outros é galinha.”
Com o boleto de entrada na mão
e uma péssima impressão da Bolívia, seguimos para uma van que percorreu por mais uns vinte minutos estradas
empoeiradas até chegarmos a Copacabana propriamente dita. Foram momentos de
insegurança até estarmos no hotel e termos certeza que não sofreríamos algum
tipo de abuso de autoridade. Mas enfim, Bolívia!

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