quarta-feira, 8 de maio de 2013

RUMO A BOLÍVIA COM EMOÇÃO



Acordamos não tão cedo depois de uma boa, longa e merecida noite de sono, tomamos nosso café tranqüilamente no hotel e logo fizemos o check out, seriam apenas 143km até Copacabana já na Bolívia.

Tomamos um taxi até a rodoviária de Puno e compramos duas passagens para a curta viagem no confortável ônibus cuja foto ilustrava o guichê da Cia. Como a partida só seria no início do período da tarde, ficamos pelos arredores e comemos algo até o momento do embarque.

Chegada à hora nos dirigimos ao guichê da companhia Copacabana e a senhora que nos vendeu a passagem nos acompanhou ao lugar de embarque, que para nosso espanto não era na plataforma, mas sim na esquina, onde alguns outros estrangeiros esperavam. Estranhei e exigi explicações, mas ela pediu que nós esperássemos e caiu fora. Logo que chegou uma van antiga, sem ar condicionado, percebemos que tínhamos caído em uma roubada, e enquanto tentava reclamar com o motorista as mochilas foram parar no bagageiro no teto da van. Era pegar ou largar. Pegamos!

Seguimos viagem espremidos no banco com mais dois gringos supostamente ingleses que bebiam whisky no gargalo, isso nos incomodou profundamente, pois em nenhum momento eles nos ofereceram um trago, e estávamos precisando.

Demoramos três longas horas até finalmente chegarmos à fronteira ainda do lado peruano.

Mochila para baixo no melhor estilo pega ou vai ao chão e fomos instruídos a seguir o ajudante do motorista rumo à imigração peruana. Uma rua em aclive em um lugar estilo pós-apocalíptico. O grupo sujo de poeira, com as mochilas mal acomodadas no corpo e sentindo muito a altitude se arrastava em fila indiana lembrando o exercito de Brancaleone.

Passamos pela imigração peruana sem problemas, e nos dirigimos à imigração boliviana. Esse foi o único momento realmente estressante da viagem onde me senti temeroso quanto a nossa segurança, não só pela situação que estávamos atravessando como por outros quatro incidentes com a polícia deles em viagens anteriores, mas isso é outra história.

Um dos carabineiros parecendo um Rambo subdesenvolvido que rondava a fila onde esperávamos para efetuar as burocracias de entrada no território boliviano começou a me rodear e fazer um desnecessário e inconveniente interrogatório, sobre meu relacionamento com a Grazi, nossa diferença de estatura, idade, sobre o preço da minha câmera e chegou a me pedir uma nota de vinte Reais para a coleção dele, que neguei. Mais que o constrangimento público me incomodou à arrogância.

Durante estes momentos incômodos junto ao sujeitinho, tive que ser extremamente racional para não ir parar junto aos corintianos. O ensinamento espanhol do meu velho pai me ajudou a manter-me frio, ele costuma dizer: “Galo no terreiro dos outros é galinha.”

Com o boleto de entrada na mão e uma péssima impressão da Bolívia, seguimos para uma van que percorreu por mais uns vinte minutos estradas empoeiradas até chegarmos a Copacabana propriamente dita. Foram momentos de insegurança até estarmos no hotel e termos certeza que não sofreríamos algum tipo de abuso de autoridade. Mas enfim, Bolívia!

Nenhum comentário:

Postar um comentário